O Garoto de Programa

VILSER SOB AS LUZES DA NOITE
CAPÍTULO 10



Numa noite de balada qualquer, quando eu estava com meus amigos num bar, resolvi contar minha decisão a eles:

- Como é que é?!? – Gritou Noel, quase se engasgando com a cerveja, quando soube que eu queria pagar um garoto de programa para tirar minha virgindade.

- Mas Vil, você é um cara bonito, inteligente, jeitinho de machinho. Tenho certeza de que não precisa pagar pra isso! – Disse Geovanne, enquanto puxava a saia de uma menina pra ver o que tinha embaixo.

- Mas é o fim do mundo mesmo! – Gritava Noel. - O que é isso Gê, tá mudando de lado agora?
- Sei lá... Tá me dando umas vontades estranhas hoje... – Diz Geovanne num tom de voz mais grosso que o normal.



- Já vi que eu sou o único normal deste trio! – Bradava Noel. – Ai, se não fosse meu juízo... O que seria de vocês?
- Olha, galera... Eu só sei que eu devo estar fazendo tudo errado! Nenhum homem me chama pra transar! – eu disse.

De repente, uma voz estranha fala:

- Oi gatinho, se você ir comigo ali no meu carro eu resolvo seu problema... – Diz um senhor de uns mais de sessenta anos que ouvia nossa conversa.
- Olha aqui, vovô... Ele disse homem, ele não disse que sente tara por múmia! – Disse Geovanne, num tom grosso que não lhe era normal.

Como eu tinha bebido um pouco, eu continuei a falar. Sem reparar no velhinho:

- O que eu quero dizer, galera, é que eu não vou mais esperar um “príncipe do cavalo branco” vir até mim e me levar pra cama. Eu quero escolher como será a minha primeira vez! E pagando, eu vou pra cama quando e com quem eu bem entender...



O tiozinho insistiu:
- Eu sou branco, tenho olhos azuis, descendência européia. Eu posso ser o seu príncipe!
- Vovô, pega seus olhos azuis e enfia no olho do seu cú, que você não foi chamado pra conversa! – Geovanne disse, levantando-se e arrumando as calças, como se quisesse bater no tiozinho.

Para evitar o pior, eu levantei, puxei Geovanne o levei para fora do bar pela orelha, e pedi para Noel pagar a cervejas.
- Ai, ai, ai Vil... Você queria ficar com o velhinho era só falar... – gemia Geovanne.
- Custa pra você apenas ficar de boca fechada? A gente é que sai com fama de arruaceiro! Você normalmente fica uma lady quando bebe... O que é que você tem hoje?

- Nada... Só estou... Diferente...
- Mas enfim, Vil. - Noel sai do bar perguntando: - Você já tem idéia de quando e onde vai colocar seu plano em prática?

- Bem, eu li em algumas revistas a respeito. Levar michê (garoto de programa) pra Motel ou pra casa é meio perigoso, o cara pode ser marginal...
- Isso é... E então?

- Li também que tem uma sauna gay aqui perto, onde os michês atendem em quartos da própria sauna. Se vocês quiserem, vocês vão para a boate, que eu vou pra sauna.
- O quê? E perder esse filme de Almodóvar? Nunca! Eu vou com você! – Disse Noel.

- Ah, se vai ter filme então eu também vou! – Diz Gê. – Mas passa filme em sauna?
- Não Gê, o Noel tá comparando a minha vida a um filme do diretor Pedro Almodóvar, onde todo mundo é maluco... – eu expliquei.

E assim, pouco tempo depois, estávamos os três na sauna.



De um lado da sauna, os michês: homens bonitos, jeito de macho.
O papo deles também era coisa de macho: Futebol, carro, motos... Acho que só não falavam de mulheres pros clientes não se ofenderem.

Do outro lado, os clientes gays: efeminados, feios ou idosos (e havia quem tinha as três qualidades ao mesmo tempo).

Os michês sorriram para Noel, que atravessava a sala principal da sauna, saltitante.
Mas fecharam a cara quando eu e Geovanne passamos.

Foi quando um loiro maior do que eu, muito musculoso, perguntou:
- Aê, se vocês quiserem entrar como michês, tem que negociar!
- Nós não somos michês... Somos clientes. – Eu disse.

De repente a fisionomia do loiro mudou. Ele sorriu para mim.

- É que vocês dois não tem jeito de... Você sabe...
- Você tem mais experiência no assunto do que eu. Precisa ter jeito pra ser gay?

O loiro riu mais uma vez. Sorriso de macho. Ajeitou a franja de seu cabelo liso e cor de trigo.

- Meu nome é Fernando. Se quiser, te faço um desconto... – Sussurrou.
- Beleza, Fernando. Vou conferir o material por aí... Se não tiver ninguém melhor, eu falo com você.

Putz, eu não podia transar com um cara chamado Fernando... Eu ia me lembrar do Fernando da minha adolescência!

Gê, Noel e eu continuamos a andar pela sauna.
Visualizei um moreno de um bronzeado lindo, malhado, cabelo estilo militar, olhos verdes.
Entao, resolvi me separar dos meus amigos.
Era naquele moreno mesmo que eu ia deixar minha virgindade.

- Opa! – Chego naturalmente.
- Opa, beleza? - ele responde.
- Er... Quanto é o programa?
- Cinqüenta.
- Cinqüenta reais?
- Cinqüenta centavos que não é...

- Ah tá... (já que era pra ele ser grosso, deixa pra lá...)
- Não valho cinqüenta reais? – ele diz, sorrindo e passando a mão no corpo.
- Serviço completo?
- Com certeza...

De repente, passa um senhor feio, magro e barrigudo, gritando:
- Sérgio!

O moreno do meu lado me diz:
- Desculpa aê, mas tenho que ir... O tiozinho me paga cem...

Bem, tudo que eu tinha era cinqüenta reais. Pensando bem, o moreno nem era tão lindo assim...

Quando me virei para procurar meus amigos, esbarro em Fernando, o loiro musculoso...



Ele me segura pelo ombro, aproxima a cabeça, e seu cabelo liso e cor de trigo impecavelmente liso encosta na minha cabeça.
Ele diz no meu ouvido:
- Te faço por vinte...

Bem, o loirão era bonito, fortão, macho e fez desconto para transar comigo... Por que não?

Segui com “Fernandão” direto para um quarto.
Ao entrar, e ficar a sós com ele, eu comecei a suar frio, queria desistir.
Era mesmo necessário me submeter àquilo para perder a virgindade?

Dentro do quarto, ele liga a televisão.
- Tudo bem pra você eu ligar a TV?
- Tudo...

Ele joga a toalha sobre uma cadeira e fica nu.
Seu corpo era perfeito... Musculoso, sem pêlos, parecia modelo de capa de revista. De musculação.
Eu tiro a toalha e também fico nu. E roxo de vergonha.

Sentado na cama, ele me pede para sentar ao lado dele.
Eu sento.



Ele pega uma camisinha. Vejo pela embalagem que é sabor de morango.
Ele a desenrola sobre seu membro. Era a primeira vez que eu via outro cara totalmente nu na minha frente.
Como ele era fortão, obviamente a coisa dele não era muito grande. Mas era maior do que dizem que é a média dos musculosos. Enfim, tinha um tamanho razoável.

- Você quer chupar?
Eu não respondi.
Meio sem jeito, me aproximei, segurei forte com a mão e coloquei a boca.
Se o aroma de morango era pra ajudar a disfarçar o gosto, não sei de que adiantava. O gosto de borracha era muito mais forte...

Aquele gosto de borracha quebra qualquer tesão.
Mas obviamente, é mais seguro. Se já é aconselhável usar camisinha com quem você já conhece, imagine com um desconhecido que vive de fazer sexo? Não, não dava pra pensar em fazer sem...

Mas imaginei que fazer aquilo com camisinha e chupar um consolo de borracha não faria nenhuma diferença.

Mas eu ainda conseguia sentir alguma excitação: Eu estava com um homem heterossexual... E creio que era heterossexual porque ele não desgrudava a cara do filme cheio de mulher pelada da TV.
Aí ele disse:
- Fica de quatro!

Me ajeitei e fiquei esperando.

De repente, sinto o loiro forçar.
Me dá um medo de doer e eu travo.
Aí ele força mais. Força, força e nada.
- Você tem que relaxar mais... – ele diz.

Eu tento...
Quando ele encosta de novo, eu fico com medo de novo, e travo.

Ele força, força, força... e nada.
- Olha cara, eu acho que não vai dar não... – ele diz.
“O quê? Já pediu arrego seu frouxo?” – pensei...

Ele se deita na cama e diz:
- Senta sobre mim...

Eu me sento sobre as pernas dele, mas não há sexo de verdade.
Me masturbo olhando pro corpo dele.
Sim, seu corpo e seu rosto são perfeitos demais. Mesmo apenas encostando, olhar para aquele corpo e rosto já me fazia um bem danado...

E então, mesmo sem haver o serviço completo, eu acabo explodindo.
Quando eu faço, a coisa voa longe e cai no lindo cabelo liso cor de trigo dele...
Ele fica puto. (Pensando bem, como ele vai ficar puto se ele já é puto?)

Mas ele se conforma...
O cabelo dele ficou gozado (nos dois sentidos da palavra).
Bem, de certa forma, fica como um pagamento por uma péssima “performance”, já que ele não soube cumprir seu serviço com louvor.

Mas pra mim, no fim das contas, tudo não passou de uma grande masturbação.
Mas passei a acreditar que era melhor eu pensar que foi uma primeira vez consumada do que ficar sofrendo atrás de outra primeira transa.

Eu e meus amigos fomos embora.
Noel sai com um sorriso bobo.
Diz que conheceu os vinte e três centímetros mais emocionantes da vida dele.

Geovanne sai com cem reais...

Alguns dias depois, no serviço, aparece na Lunch’s uma pessoa que eu pensei que nunca mais veria na minha vida...
Fernando. O cara por quem fui apaixonado na minha adolescência.

(CONTINUA)

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Confessions on a Dance Floor: Você conseguiria fazer sexo com alguém que não gostasse por dinheiro?

9 comentários:

Al disse...

Ja me fizeram a proposta, e não dá, de forma ou maneira alguma...só de pensar...: broxante...

Marco disse...

Poxa, que descrição...
Que angústia essa, cara! Imagino bem a sua situação. Começo de vida gay é foda mesmo, né? (Ou não.....)
Bjs.

Supercali Fragilistic Expiali Docious disse...

Talvez até fizesse se o cara fosse bonitinho e se eu fosse solteiro...


Quanto a minha estória, estou meio sem tempo para postar no meu blog, mudei de área agora no trabalho e estou estudando pra um concurso... Todo tempo dedicado a isso é fundamental, mas vou ver se posto pelo menos uma vez por semana. Obrigado pela visita.

Ainda mais por dentro...(rick) disse...

(Oi Rick.
Começo de ano, planos novos... eh eh...
O importante é não deixar esse otimismo cair na primeira adversidade.
Nada na vida é 100%, mas não nos impede de batalhar para melhorar!
Abração!)

Vil
Sua mensagem veio em segundos de fraqueza e conseguiu me fortalecer, acjo que é isso que nos somos, uma cambada de pesssoas maravilhosas que servimos para ajudar o outro mesmo que nao seja algo planejado. Deve ser a chamada intuição gay.

Então cara é meio louco esse questionamento, eu sou muito duro mesmo, e acredito que nao faria. Mas num momento de tesão e fetiche quem sabe?

Marco disse...

Só esclarecendo, achei que você descreveu muito bem a história. Ficou bem legal mesmo.

Agora, só deixa uma coisa mais clara: o Geivanne acabou fazendo programa na sauna?

Bjs.

Fernanda disse...

Você conseguiria fazer sexo com alguém que não gostasse por dinheiro?



NÃO.
Definitivamente NÃO.



o Geovanne virou uma poota? ahuauhuahuha

bjo!

www.anoivaneurotica.blogspot.com

Lú - RJ disse...

Transar por dinheiro... Pagar pra transar?... Isso nao me excita muito nao! Mas a gente nunca sabe o que pode acontecer não é?!

Abraços! E boa semana!

vitor boy disse...

Acho q não, mas nunca digo "dessa água não beberei..."

Anônimo disse...
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