Era uma casa muito engraçada...



Quando estamos apaixonados, parece que não conseguimos enxergar as coisas direito. Algo que é nitidamente arriscado e perigoso para a maioria das pessoas, inexistem em olhos apaixonados. E acredito que a carência tem efeito parecido...

Só isso explica o fato de eu ter entrado numa casa fora dos padrões, em plena madrugada, para me encontrar com cara que eu acabara de conhecer pelo telefone.

Após passar por um portão automático e por um corredor cujas luzes se acendiam automaticamente, chego a uma segunda porta. Que também abre automaticamente.

O estalo da fechadura eletrônica me assusta.

Um rapaz surge:

- Oi, tudo bem! Meu nome é Mauro!

Mauro é um rapaz de aparentemente 20 e poucos anos, moreno, magro e simpático.
Não é um cara lindo, mas levando em consideração que o conhecia somente por telefone, tive até sorte, sua fisionomia era até agradável...

- Fique à vontade. Quer beber alguma coisa? – ele me oferece.

Sim, ele parecia ser uma boa pessoa. Mas preferi não aceitar nada. Pelo mundo afora, muitas coisas já aconteciam naquela época após alguns goles de qualquer coisa.



- Vejo que ainda está preocupado. – ele observa.
- Desculpa, cara. É uma situação totalmente nova para mim... – eu tento me explicar.

- Relaxa! Assim como você, eu sou cuidadoso. Olha isso...

Na sala, Mauro me mostra várias pequenas televisões. Em cada uma, uma imagem de um lugar diferente da casa.

- Se você não fosse tão interessante, ou não aparentasse ser de confiança... Eu não teria aberto o portão.

Pensei em agradecer. Cheguei a ensaiar um sorriso. Mas fiquei quieto. Se eu fosse feinho ia ficar plantado lá fora a madrugada toda?

- Pelo visto você é muito tímido... – ele conclui.

Sim, eu sou um pouco tímido. Mas não era apenas timidez.
Eu estranhava o fato da casa ter segurança demais.
Ou ele era obcecado por segurança, ou ele escondia alguma coisa lá dentro...

Mauro começa a acariciar minhas costas.
E às vezes passa a mão no meu cabelo.

Fazia meses que o serviço de gerente me tomava todo o tempo disponível.
Isso somado a uma desilusão amorosa pela qual eu acabara de passar, me deixou num ponto que eu trocava meu reino por um pouco de carinho.

Parei de tentar achar razão em tudo, e resolvi ceder às investidas de Mauro.

Ele não era delicado, sua voz era o melhor que ele tinha. Era até esforçado. Mas estava longe de ter uma boa pegada...

- Você não quer vir para o quarto, para a gente ficar mais à vontade? – Ele diz.
- Tudo bem.

Assim que saímos da sala cheia de “televisoesinhas” e outros aparelhos, ele acende a luz de uma outra sala e vejo muitos brinquedos espalhados pelo chão... Mas muitos brinquedos mesmo.

- Uau! - Eu fico impressionado num primeiro momento. São brinquedos eletrônicos, carrinhos prateados, vídeo games, muita coisa.
- É que meu sobrinho veio brincar comigo hoje. Não repara a bagunça.

Seguimos mais um pouco e chegamos ao quarto. Tudo era muito colorido. E lá havia mais brinquedos! Inclusive a cama tinha formato de ursinho...
“Meu senhor! Eu estou na Neverland e vou me deitar com o Michael Jackson?” – pensei.

Eu tentei me concentrar: “Calma, Vilser! Apesar de tudo, ele tem jeito de homem. Na certa, não teve infância...”

Tiro a camisa e o sapato.
Mauro tira a roupa, e o que era estranho consegue ficar pior!
Ele usava uma cueca canção com desenhos do Mickey!
Eu devo ter arregalado os olhos. Eu queria rir...

- Tudo bem? – Pergunta Mauro.
Respiro fundo e faço um “arrã”, meio forçado.

Ele apaga a luz e me puxa para a cama... Sim, aquela com formato de ursinho.
“Ufa, quem sabe no escuro isso tudo fique menos bizarro!” – pensei.

A cama é pequena. Mauro, que tinha em torno de um metro e setenta, até cabia bem, mas eu tive que ficar encolhido. (Claro, com uma cara em formato de ursinho, definitivamente a cama não esperava que um homem de 1,83 fosse... Frequentá-la...)



Mauro começa a me beijar.
Mas somando a pegada ruim, que continuava, com os brinquedos, e a situação de estar num ambiente totalmente novo, eu não me sentia confortável ali.
Ainda assim, me esforço.

Mas em alguns momentos, inevitavelmente, abri os olhos.
Aos poucos, enquanto nos beijávamos, uma luz indireta proveniente das luzes da rua foi tomando conta do ambiente.

Ótimo! Vários palhaços e bonecos começaram a me encarar também, como se dissessem: “Tu és uma besta mesmo! Não fostes embora ainda por quê?”



Mauro ainda estava animado. Se esfregava sobre meu corpo, excitadíssimo. Feliz da vida.
Mas acho que a minha carência havia passado. Eu não via mais graça naquilo.
Não sei quanto às outras pessoas, aos outros homens, mas, definitivamente, aquela situação não me excitava!

Acho que ele nem notou que eu não tirara a calça jeans.
Aliás, Mauro não reparou nem que, após um determinado momento, eu não estava mais curtindo. Teve um orgasmo de cuecas mesmo.
Sim, ele conseguia ser mais estranho a cada minuto...

Em seguida, Mauro deita a cabeça sobre meu peito, como quem vai dormir.
Apesar de mal me encaixar na cama, tento descansar um pouco.

Poucos minutos depois, levanto-me, coloco minhas roupas e peço para que ele me abra o portão.
Ele me convida para um café, mas educadamente, recuso. Eu queria sair dali.

Mauro respirou fundo. Talvez esperasse que eu gostasse mais dele.
Pensei em falar: “Eu tentei, mas não deu! Não teve química”. Mas talvez isso magoasse.
Agradeci a “hospedagem” e me retirei.

Talvez eu tenha exagerado.
Talvez pudesse ter ficado para um café, tomado um refrigerante, uma cerveja.
Acho que a falta de química veio da minha paranóia, do meu medo de que ele pudesse me fazer mal. Da minha insegurança ao vê-lo rodeado de brinquedos e achar que ele era um maluco, ou coisa do tipo.

Tive coragem demais para ir até lá. E medo demais para me sentir à vontade.
Nunca sei o que deixamos de viver nesse mundo por causa do medo...

...

Alguns dias depois, líbero os funcionários de utilizarem o 145 novamente após o expediente.

E numa dessas ligações, Alessandra conhece um bombeiro.
Esse bombeiro trabalha num batalhão próximo à loja.

Logo, pegam tanta intimidade que o rapaz combina de vir até a loja, buscá-la para sair.
Assim que chega, ele pergunta sobre ela no balcão, e sim, vejo que é muito bonito. Ela se deu bem.



Mas... enquanto Alessandra se trocava, o tal bombeiro não tirava os olhos de mim...

CONTINUA

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SESSÃO CONFISSÃO:

O que te brocha imediatamente?

16 comentários:

Anônimo disse...

Falta de higiene!

Falous!

Kuatcoca

Arthur Ferraù disse...

Eu brocho com cheiros ruins... Ou beijo mal dado!

_Gour_ disse...

Velhos (50+), bafo de fumante, falta de higiene, pêlos em lugares exóticos (nariz, orelha, eca!), pessoas muito gordas...

Ah, Vilser! Vai ver o Mauro era dono de uma fábrica de brinquedos famosa e rico! Hehe... que pena que não deu certo. Pelo menos ele saiu feliz.

Um abraço!

Editor disse...

Vilser, eu no seu lugar também ficaria morrendo de medo da situação... ainda mais com um cara maluco desses!!

Ah, o que me brocha é jeito afeminado! Já peguei um cara afeminado de vez ou outra, até bonitos por sinal, mas quando abriam a boca... bem, me dava vontade de sair correndo! Rs!

P.S.: Estou muito feliz que você voltou a postar! Adoro suas histórias! ;)

Editor disse...

Vilser, eu no seu lugar também ficaria morrendo de medo da situação... ainda mais com um cara maluco desses!!

Ah, o que me brocha é jeito afeminado! Já peguei um cara afeminado de vez ou outra, até bonitos por sinal, mas quando abriam a boca... bem, me dava vontade de sair correndo! Rs!

P.S.: Estou muito feliz que você voltou a postar! Adoro suas histórias! ;)

Anônimo disse...

Homens mais femininos...
Definitivamente!

Timmy, o Provinciano disse...

Existem pessoas que curtem brinquedos mesmo já sendo adultas. Elas são normais, com responsabilidades de uma pessoa maior de idade, porém tem essa necessidade de colecionar/guardar/comprar brinquedos infantis. São o que chamamos de "KIDULTS". São pessoas extremamente divertidas (conheço várias). Talvez por ter tudo acontecido tão rápido ficou chocado com a suposta "infantilidade" do rapaz. E nem te condeno... Provavelemente se estivesse na mesma situação também me assustaria.

E quanto aos broxantes... Como já disseram, acho que pessoas excessivamente afeminadas me assustam...Mas, para mim, o pior de TUDO são as malditas gírias de traveca. Por falar "neca", "bate cabelo" entre outras, eu deixei muitos caras falando sozinhos na balada...

me do

=P

FOXX disse...

auahauhauahauhaua


bem
ele era louco mesmo
parecia
kkkkkkkkkkkkkk


o q me brocha?
videos eróticos (naum vejo nada erótico naquilo), mal cheiro (fedorentos, longe de mim), gente burra (mim vai pro inferno por isso) e gordos (desculpem todos os gordinhos, mas... não rola, tem gente q naum gosta de efeminados, eu não gosto de gordinhos)

[raph.] disse...

Que cara esquisito!


O que me brocha?
Acho que beijo ruim... ew

Kaka disse...

kkk

Eu adoro brinquedos... e não sou maluco. Tb nem tenho tantos na minha casa! kkkk

Mas, se depender de eu perder a virgindade me encontrando com alguém que eu conheci por telefone ou nestes sites de relacionamento... morro virgem! Morro de medo desses encontros...

Beijo

SAM disse...

Cheiros ruins [2] auhuahahuuhahua

Sei lá se eu teria coragem de encarar uma dessas viu!

Lú - RJ disse...

Cheiros ruins e beijos ruins me deixam totalmente pra baixo! hehe

Abração!

Râzi disse...

Ahauhauhauaahauha!

Meu lindo, vc poderia escrever um livro!!!!

Ahauhauhauahauaha!

Beijão!

Renato disse...

O que me brocha? Afeminados e gente que transa consigo mesma. Nada pior que uma bichona que acha que é mulher, a não ser um cara que transa com você como se estivesse usando um dildo.
Sobre a situação que você descreveu, será que teria algum jeito de não achar estranho? Creeepy... e o medo é bom nestes casos, pra não entrar em roubadas. No fim, você deve é ter transado com um adolescente... péssimo.

Cardo disse...

Eu adoro coisas que são geralmente associadas a crianças, tais como bichinhos de pelúcia, bonecas e filmes de desenho animado. AMO! Não vejo nada de errado nisso e não vejo motivo para alguém se assustar com isso, mas... cada um com seu cada um.

O que me brocha? Bigode (não gosto muito de pêlo em lugar nenhum, muito menos na cara, e bigode realmente não dá), afeminados, homens muito magros. Embora não tenha nada contra esses tipos como amizades (muito pelo contrário, até porque eu sou magro), mas não me atraem sexualmente.

Homossexual e Pai disse...

Vilser, adoro seu jeito espontâneoi de escrever! Sua estória foi um jeito muito legal de mostrar como a carenica da gente pode nos meter em cada estoria!!!!
Na próxima peça uma cama da barbie!! (risos)

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